“Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo.”

Caio Fernando Abreu…

Publicado: julho 21, 2010 em ali se foi...

Brazilian Day Amsterdam
http://ping.fm/dQkO2

Publicado: julho 13, 2010 em ali se foi...

Ter, 13 de Julho de 2010 19:30
Amsterdam não ganhou a copa mas recebe os jogadores em clima de festa. E olha que festa! A cidade pegou fogo!
http://ping.fm/DwmZA

Publicado: julho 12, 2010 em ali se foi...

Final da copa do mundo em Amsterdam, fim de festa! http://ping.fm/4j0Zy
A Holanda acordou de ressaca! veja as fotos da bagaceira!

Publicado: julho 11, 2010 em ali se foi...

Direto de Amsterdam, final da copa do mundo
http://ping.fm/pJ9sX

Alice que nada…

Publicado: maio 27, 2010 em ali se foi...

O mundo anda tao complicado …

Publicado: fevereiro 22, 2009 em ali se foi...

saudade ‘e pouco para tantas saudades …

Esses palhacos dancando no ar …

Publicado: fevereiro 22, 2009 em ali se foi...

g11



A nossa vida ‘e um carnaval

A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor

Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins

Vê colombinas azuis a sorrir laiá
Vê serpentinas na luz reluzir
Vê os confetes do pranto no olhar
Desses palhaços dançando no ar

Vê multidão colorida a gritar lará
Vê turbilhão dessa vida passar
Vê os delírios dos gritos de amor
Nessa orgia de som e de dor

La lalaia lalaia lalaia


Publicado: fevereiro 22, 2009 em ali se foi...

Viver tem sido um misterio e o mais longe que chego menor a nocao de realidade. A vida se transformou num mecanismo, a ordem `e seguir o caos. Ou se tiver sorte e vir um coelho branco passando, siga o coelho.

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento, Um sol de diamante alimentando o ventre,

O leite da tua carne, a minha Fugidia. E sobre nós este tempo futuro urdindo Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida

A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo. Te descobres vivo sob um jogo novo. Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor, Antes do muro, antes da terra, devo Devo gritar a minha palavra, uma encantada Ilharga

Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.

O fundo sortilégio da omoplata.

Matéria-menina a tua fronte e eu

Madurez, ausência nos teus claros

Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.

Esta fronte que é minha, prodigiosa

De núpcias e caminho

É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo

E vou morrendo. Entre terra e água

Meu existir anfíbio. Passeia

Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:

Noturno girassol. Rama secreta.

(…)

[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]

[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]

Publicado: junho 14, 2008 em ali se foi...

O ministerio dos desavisados adverte:

Atencao para os sinais de loucura, cuidado com a solidao

O ministerio dos desavisados recomenda:

Em caso de loucura, tome a pilula vermelha.

Em caso de solidao, nao se mate.

Nem todos os vulcoes dormem para sempre.

Aviso aos desavisados, nao ignore os sinais.

Publicado: junho 14, 2008 em ali se foi...

TEMPO REI
Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

(Gilberto Gil)

O MAIS-QUE-PERFEITO

Ah, quem me dera
Ir-me contigo agora
A um horizonte firme, comum
Embora amar-te
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes

Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te

Ah, quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te

(Vinicius de Moraes)

***

Ainda resta aquela sede,  o ultimo gole, o gelo derretido no que sobrou daquela dose…  A possibilidade de procurar os ultimos bares aberto, a quase embriaguez.

Agora ou no inverno?

eu conheco voce, que nao me conhece. que nao me acredita…

Nem todos percebem as mudancas das estacoes ou reconhecem a primavera.

****

Munch

“Quando olho para dentro dessa buceta fodida de puta, sinto o mundo inteiro embaixo de mim, um mundo vacilante e desnorteante, um mundo gasto e polido como um crânio de leproso. Se houvesse um homem que ousasse dizer tudo quanto pensa deste mundo, não lhe restaria um palmo quadrado de terra onde ficar.

Quando um homem aparece, o mundo cai sobre ele e quebra-lhe a espinha. Restam sempre em pé pilares apodrecidos demais; humanidade supurada demais para que o homem possa florescer. A superestrutura é uma mentira e o alicerce é um medo enorme e trêmulo. Se com intervalos seculares aparece um homem de olhar desesperado e faminto, um homem que vira o mundo de cabeça para baixo a fim de criar uma nova raça, o amor que ele traz ao mundo é transformado em fel e ele se torna um flagelo. Se de vez em quando encontramos páginas que explodem, páginas que ferem e queimam, que arrancam gemidos, lágrimas e pragas, sabemos que elas provêm de um homem com as costas na parede, um homem cuja única defesa restante são suas palavras, e suas palavras são sempre mais fortes que o peso mentiroso e esmagador do mundo, mais fortes que todos os ecúleos e rodas que os covardes inventam para esmagar o milagre da personalidade.

Se algum homem ousasse traduzir tudo quanto há em seu coração, expressar realmente o que é sua experiência, o que é realmente sua verdade, penso que o mundo se despedaçaria, se reduziria a pedacinhos e nenhum deus, nenhum acidente, nenhuma vontade poderia jamais reunir novamente os pedaços, os átomos, os elementos indestrutíveis que entraram na formação do mundo…

O mundo está esgotado: não resta um peido seco”.

Henry Miller ,Trópico de Câncer.

***********************

Em face dos Ultimos Acontecimentos…

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

Drummond.

Publicado: março 28, 2008 em Letra de musica, musica, zeca baleiro

Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras
Que não digo
Mesmo na luz não há quem possa
Se esconder do escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido
Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha
Nos teus olhos

Zeca Baleiro

    Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela nao respondeu, você deu flores que ela deixou a seco, você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele escuta Egberto Gismonti e Sivuca. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas.

Por quê você ama este cara ? Não pergunte pra mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Cohen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor ?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor nao é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.

.

O mito de Eco e Narciso…

Publicado: março 7, 2008 em o que passou

Viver tem sido um misterio e o mais longe que chego menor a nocao de realidade. A vida se transformou num mecanismo, a ordem `e seguir o caos. Ou se tiver sorte e vir um coelho branco passando, siga o coelho.

poema suicida

Publicado: março 7, 2008 em o que passou

Se por acaso nao me matasses…

Eu te daria outro bejio
O meu olhar pularia da face
sorrindo com desejo

Se por acaso nao me matasses
Eu viveria de algum jeito
Mas se a morte nao chegasse
suicidaria no teu beijo.

Se por acaso,
Eu nao estivesse sangrando
Nao haveria a dor dos golpes
Nem facas manchadas de sangue

Se por acaso me amasses…

Viver seria uma poesia
E por certo te amaria…

Se por acaso me matasses.

LB

Publicado: março 6, 2008 em o que passou

Por que?
Ave Sangria
Composição: Marco Polo

Nada de novo no fronte
E na retaguarda também
Tudo normal desde ontem
Quando houve sol e alguém cantou… yê, yêi.
.Alguém de cabelos longos E doce sorriso também
De um tempo que hoje vai longe
Longe do mal e do bem
Do amor, quem viu?Eu sou da cidade
Mas nasci no mar
Tudo que eu quero é cantar por enquanto
Eu sou da cidade mas nasci no mar
Tudo o que eu quero é chamar teu nome
Nada se move no monte
E o sol mergulha no mar
Vento e silêncio na ponte
E tudo se perde no ar
Por que?

Receita caseira

Publicado: janeiro 23, 2008 em o que passou

-
Para ser feliz amor, nao precisamos flores no jardim…
Facamos assim:

de noite beijo ardente, fogo na lingua
de manha, beijo com gosto de saliva
depois ate logo, o dia comeca.

Voce me olha , ja nao estou tao bonita
cara amassada, noite mal dormida.
Assim os dias passam, voce na minha vida.
***** *********** ***********

A primeira dose ‘e para ter cabelo na testa e manter o que resta.
A segunda `e para dar moral,
uma pilula para ir ao trabalho como se fosse carnaval

Depois da ressaca e o sonrisal, ‘e a vez do anticoncepcional.
Mais uma dose contra a apatia, outra para estimular a bulimia.
Depois voltar para casa, esquecer toda essa drogra, rezar por mais um dia.

***********

LB

A seco…

Publicado: janeiro 15, 2008 em o que passou



Tem coisas que a gente só diz de porre
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao “estado normal”,
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose… afetiva.

Leila Miccolis

Loucura

Publicado: dezembro 11, 2007 em o que passou

Loucura

O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim
Que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
Beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
Com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
E entrei em erupção sem avisar.

Anais Nin

Publicado: dezembro 11, 2007 em o que passou

Silêncio

“(…) Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio.
Que se espere, pois as folhas das árvores
ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.

Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.

O coração bate ao reconhecê-lo.(…)”

(Do livro Onde Estivestes de Noite.)

Publicado: dezembro 11, 2007 em o que passou

Trouble in mind, I’m blue
But I won’t be blue always, ‘
Cause the sun’s gonna shine
In my backdoor some day.”…

** ouvindo Janis Joplin