Eu ja me acostumei com a estrada errada que segui …

28 06 2008

Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos
Tão certo…

Teríamos o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços
De vidro…

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente
Quase parecendo te ferir…

Não queria te ver assim
Quero a tua força
Como era antes
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada…

Às vezes parecia
Que era só improvisar
E o mundo então seria
Um livro aberto…

Até chegar o dia
Em que tentamos ter demais
Vendendo fácil
O que não tinha preço…

Eu sei é tudo sem sentido
Quero ter alguém
Com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim…

Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei…

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como sei que tens também…

Legiao Urbana.

****

‘As vezes, quando nao sabemos como articular os nossos sentimentos ‘e melhor dar a voz aos poetas …

Eis que surge Renato Russo com toda a sensibilidade que ela sabe por em palavras, falando por mim.





PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR.

26 06 2008

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento, Um sol de diamante alimentando o ventre,

O leite da tua carne, a minha Fugidia. E sobre nós este tempo futuro urdindo Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida

A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo. Te descobres vivo sob um jogo novo. Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor, Antes do muro, antes da terra, devo Devo gritar a minha palavra, uma encantada Ilharga

Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.

O fundo sortilégio da omoplata.

Matéria-menina a tua fronte e eu

Madurez, ausência nos teus claros

Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.

Esta fronte que é minha, prodigiosa

De núpcias e caminho

É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo

E vou morrendo. Entre terra e água

Meu existir anfíbio. Passeia

Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:

Noturno girassol. Rama secreta.

(…)

[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]

[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]





14 06 2008

O ministerio dos desavisados adverte:

falar sozinho na rua ‘e sinal de loucura ou solidao.

‘E sinal de que  um vulcao esta ativo, lava saindo para cada lado.

O ministerio dos desavisados recomenda:

Em caso de loucura, tome a pilula vermelha.

Em caso de solidao, nao se mate.

Se for lava, transborde em erupcao.

Pois, nem todos os vulcoes dormem para sempre.

Aviso aos desavisados, nao ignore os sinais.





14 06 2008

TEMPO REI
Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

(Gilberto Gil)





Ah, quem me dera ter-te, morar-te ate morrer-te…

10 06 2008

O MAIS-QUE-PERFEITO

Ah, quem me dera
Ir-me contigo agora
A um horizonte firme, comum
Embora amar-te
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes

Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te

Ah, quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te

(Vinicius de Moraes)

***

Ainda resta aquela sede,  o ultimo gole, o gelo derretido no que sobrou daquela dose…  A possibilidade de procurar os ultimos bares aberto, a quase embriaguez.

Agora ou no inverno?

eu conheco voce, que nao me conhece. que nao me acredita…

Nem todos percebem as mudancas das estacoes ou reconhecem a primavera.

****





O mundo está esgotado: não resta um peido seco

17 05 2008

Munch

“Quando olho para dentro dessa buceta fodida de puta, sinto o mundo inteiro embaixo de mim, um mundo vacilante e desnorteante, um mundo gasto e polido como um crânio de leproso. Se houvesse um homem que ousasse dizer tudo quanto pensa deste mundo, não lhe restaria um palmo quadrado de terra onde ficar.

Quando um homem aparece, o mundo cai sobre ele e quebra-lhe a espinha. Restam sempre em pé pilares apodrecidos demais; humanidade supurada demais para que o homem possa florescer. A superestrutura é uma mentira e o alicerce é um medo enorme e trêmulo. Se com intervalos seculares aparece um homem de olhar desesperado e faminto, um homem que vira o mundo de cabeça para baixo a fim de criar uma nova raça, o amor que ele traz ao mundo é transformado em fel e ele se torna um flagelo. Se de vez em quando encontramos páginas que explodem, páginas que ferem e queimam, que arrancam gemidos, lágrimas e pragas, sabemos que elas provêm de um homem com as costas na parede, um homem cuja única defesa restante são suas palavras, e suas palavras são sempre mais fortes que o peso mentiroso e esmagador do mundo, mais fortes que todos os ecúleos e rodas que os covardes inventam para esmagar o milagre da personalidade.

Se algum homem ousasse traduzir tudo quanto há em seu coração, expressar realmente o que é sua experiência, o que é realmente sua verdade, penso que o mundo se despedaçaria, se reduziria a pedacinhos e nenhum deus, nenhum acidente, nenhuma vontade poderia jamais reunir novamente os pedaços, os átomos, os elementos indestrutíveis que entraram na formação do mundo…

O mundo está esgotado: não resta um peido seco”.

Henry Miller ,Trópico de Câncer.

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Nao quereis ser um pornografico?

9 05 2008

Em face dos Ultimos Acontecimentos…

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

Drummond.





28 03 2008

Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras
Que não digo
Mesmo na luz não há quem possa
Se esconder do escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido
Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha
Nos teus olhos

Zeca Baleiro





Sobre o amor / Roberto Freire

27 03 2008

    Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela nao respondeu, você deu flores que ela deixou a seco, você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele escuta Egberto Gismonti e Sivuca. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas.

Por quê você ama este cara ? Não pergunte pra mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Cohen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor ?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor nao é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.

.

O mito de Eco e Narciso…





7 03 2008

Viver tem sido um misterio e o mais longe que chego menor a nocao de realidade. A vida se transformou num mecanismo, a ordem `e seguir o caos. Ou se tiver sorte e vir um coelho branco passando, siga o coelho.





poema suicida

7 03 2008

Se por acaso nao me matasses…

Eu te daria outro bejio
O meu olhar pularia da face
sorrindo com desejo

Se por acaso nao me matasses
Eu viveria de algum jeito
Mas se a morte nao chegasse
suicidaria no teu beijo.

Se por acaso,
Eu nao estivesse sangrando
Nao haveria a dor dos golpes
Nem facas manchadas de sangue

Se por acaso me amasses…

Viver seria uma poesia
E por certo te amaria…

Se por acaso me matasses.

LB





6 03 2008

Por que?
Ave Sangria
Composição: Marco Polo

Nada de novo no fronte
E na retaguarda também
Tudo normal desde ontem
Quando houve sol e alguém cantou… yê, yêi.
.Alguém de cabelos longos E doce sorriso também
De um tempo que hoje vai longe
Longe do mal e do bem
Do amor, quem viu?Eu sou da cidade
Mas nasci no mar
Tudo que eu quero é cantar por enquanto
Eu sou da cidade mas nasci no mar
Tudo o que eu quero é chamar teu nome
Nada se move no monte
E o sol mergulha no mar
Vento e silêncio na ponte
E tudo se perde no ar
Por que?





Receita caseira

23 01 2008

-
Para ser feliz amor, nao precisamos flores no jardim…
Facamos assim:

de noite beijo ardente, fogo na lingua
de manha, beijo com gosto de saliva
depois ate logo, o dia comeca.

Voce me olha , ja nao estou tao bonita
cara amassada, noite mal dormida.
Assim os dias passam, voce na minha vida.
***** *********** ***********

A primeira dose ‘e para ter cabelo na testa e manter o que resta.
A segunda `e para dar moral,
uma pilula para ir ao trabalho como se fosse carnaval

Depois da ressaca e o sonrisal, ‘e a vez do anticoncepcional.
Mais uma dose contra a apatia, outra para estimular a bulimia.
Depois voltar para casa, esquecer toda essa drogra, rezar por mais um dia.

***********

LB





A seco…

15 01 2008



Tem coisas que a gente só diz de porre
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao “estado normal”,
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose… afetiva.

Leila Miccolis





Loucura

11 12 2007

Loucura

O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim
Que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
Beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
Com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
E entrei em erupção sem avisar.

Anais Nin





11 12 2007

Silêncio

“(…) Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio.
Que se espere, pois as folhas das árvores
ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.

Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.

O coração bate ao reconhecê-lo.(…)”

(Do livro Onde Estivestes de Noite.)





11 12 2007

Trouble in mind, I’m blue
But I won’t be blue always, ‘
Cause the sun’s gonna shine
In my backdoor some day.”…

** ouvindo Janis Joplin





6 12 2007

Once there was a timeWhen my mind lay on higher things And once there was a timeI could find pretty words to sing But now, well now I findIt saves time to say what you mean

The Divine Comedy,





6 12 2007

Quieta, fico no meu canto. Expondo a cara a tapas.
Nao sei quantas mortes precisarei viver para renascer…

“Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!” Nietszche

***
Enquanto isso busco energias, na tentativa de um novo ceu. As vezes me como Sisifo, que tendo enganado a morte duas vezes foi condenado a rolar uma pedra de marmore ao cume de uma montanha, mas sempre que chegava topo a pedra rolava montanha abaixo.
***





frases do dia

6 12 2007

“Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos.”

“A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.”

Anais Nin
****





13 11 2007

Será que você intepretaria em minha carne crua o meu desejo?
Será que suspiros substituiriam as palavras?

Eu sinto tanto que nao sei como dizer…
Te quero com ternura, te amo simplesmente.
Sinto falta da tua presença, daqueles risos tolos.

Nao preciso das tuas palavras, mas o teu silêncio é um abismo.

…. enquanto isso caminhemos de mãos dadas.

LB





"O amante de Lady Chatterley"

13 11 2007

“E, como também ele se houvesse despido na frente, houve um perfeito colamento de epidermes ao dar-se a penetração. Mellors penetrou-a e ficou parado dentro dela, túrgido e palpitante, até perceber o começo do orgasmo de Constance - e não ritmou os movimento de vaivém. Frementes, frementes, como o palpitar da leve chama, leve e macia como pluma, as entranhas de Constance começaram a derreter-se lá dentro. Era como o som dum sino que, de vibração em vibração, sobe do vago ao apogeu. E Lady Chatterley não teve consciência dos gemidos e gritinhos selvagens que dava - que deu até o fim. Fim da parte dele, apressado demais, sobrevindo antes que ela acabasse - e Constance não podia acabar sozinha. Daquela vez tudo era diferente, diferente. Por si nada podia fazer. Não podia retesar-se para mantê-lo dentro de si até que o gozo sobreviesse. Só podia uma coisa, esperar - esperar mentalmente e gemer ao sentir que ele se contraía, se retraía, já próximo a escapar à sua sucção.”

(”O amante de Lady Chatterley”, de D. H. Lawrence. Tradução: Rodrigo Richter)





13 11 2007

Estranho observar a passagem do tempo
Olhar para trás, lembrar de momentos
Fechar os olhos e tentar reviver uma sensação
Como é sombrio os quartos que habita a memória
O que foi realidade aos poucos afasta-se,
trasnforma-se em pontos luminosos
misturados e desconexos…
Aos poucos a lembrança mistura-se ao que se parece com sonho

Quanto vale lembrar quando nao se pode mais sentir?
Aquilo que fomos passou enquanto passavamos …

Fantasmas da realidade, hoje reconhecemos o vazio
Enquanto andamos ébrios, na boca um gosto de ressaca.

L.B





13 11 2007

foda-se





5 11 2007

“Pedro não reparara em Natasha não porque jamais esperasse vê-la ali, mas por causa de enorme mudança ocorrida nela desde a última vez que a vira. Ela estava mais magra e mais pálida. Mas não era isso que a tornara irreconhecível. Era impossível reconhecê-la à primeira vista porque naquela face, em cujos olhos antes sempre brilhara um sorriso secreto de alegria de viver, agora, quando ele chegara e a vira pela primeira vez, não havia sequer a sombra de um sorriso; eram agora olhos comuns – atentos, gentis, tristemente inquisitivos”.

Guerra e Paz.