Memorial de Maria Moura …
Aqui um trecho de um grande livro, Memoria de Maria Moura.
Foi um amor desesperado , furioso, que doía, machucava; amor de dois inimigos, se mordendo e se ferindo, como se quisessem que aquilo acabasse em morte (…) Quanto tempo durou?- nos separamos exaustos (…) entendia que no meio daquele desadoro , que eu tinha mesmo que matar Cirino . Entre nós dois não podia mais haver solução. Se ele escapasse vinha atrás de mim para me pegar . Não ia nunca me perdoar tinha que se vingar desta hora de humilhação. Era impossível ele esquecer. Agora era ele ou eu” ( Maria obrigava-o a ficar trancado num cubículo e ameaçava-o com uma arma). “Fiquei atirada na cama , sem poder chorar, cega , surda, vazia por dentro(…) não era dor propriamente que eu sentia , era mais um estupor que me deixava dormente , numa espécie de meia morte(…) eu pensava às vezes que estava a bem dizer igual à situação de Marialva , quando servia de alvo ao marido” (Valentim era atirador de facas , treinava, no circo) “Só que o atirador de faca acertava sempre em mim, mas sem me ferir mortalmente, só me pegando pela pele me pregando na tábua, por toda a volta do meu corpo. Escorchada e sangrando , eu ficava morrendo de dor, sem contudo morrer nunca “, lamenta-se após mandar executar seu amado.
http://www.moisesneto.com.br/estudo08.html
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