Arquivo paraJunho, 2008

Eu ja me acostumei com a estrada errada que segui …

Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos
Tão certo…

Teríamos o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços
De vidro…

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente
Quase parecendo te ferir…

Não queria te ver assim
Quero a tua força
Como era antes
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada…

Às vezes parecia
Que era só improvisar
E o mundo então seria
Um livro aberto…

Até chegar o dia
Em que tentamos ter demais
Vendendo fácil
O que não tinha preço…

Eu sei é tudo sem sentido
Quero ter alguém
Com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim…

Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei…

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como sei que tens também…

Legiao Urbana.

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‘As vezes, quando nao sabemos como articular os nossos sentimentos ‘e melhor dar a voz aos poetas …

Eis que surge Renato Russo com toda a sensibilidade que ela sabe por em palavras, falando por mim.

PRELÚDIOS-INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR.

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento, Um sol de diamante alimentando o ventre,

O leite da tua carne, a minha Fugidia. E sobre nós este tempo futuro urdindo Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida

A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo. Te descobres vivo sob um jogo novo. Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor, Antes do muro, antes da terra, devo Devo gritar a minha palavra, uma encantada Ilharga

Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.

O fundo sortilégio da omoplata.

Matéria-menina a tua fronte e eu

Madurez, ausência nos teus claros

Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.

Esta fronte que é minha, prodigiosa

De núpcias e caminho

É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo

E vou morrendo. Entre terra e água

Meu existir anfíbio. Passeia

Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:

Noturno girassol. Rama secreta.

(…)

[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]

[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]

O ministerio dos desavisados adverte:

falar sozinho na rua ‘e sinal de loucura ou solidao.

‘E sinal de que  um vulcao esta ativo, lava saindo para cada lado.

O ministerio dos desavisados recomenda:

Em caso de loucura, tome a pilula vermelha.

Em caso de solidao, nao se mate.

Se for lava, transborde em erupcao.

Pois, nem todos os vulcoes dormem para sempre.

Aviso aos desavisados, nao ignore os sinais.

TEMPO REI
Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

(Gilberto Gil)

Ah, quem me dera ter-te, morar-te ate morrer-te…

O MAIS-QUE-PERFEITO

Ah, quem me dera
Ir-me contigo agora
A um horizonte firme, comum
Embora amar-te
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes

Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te

Ah, quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te

(Vinicius de Moraes)

***

Ainda resta aquela sede,  o ultimo gole, o gelo derretido no que sobrou daquela dose…  A possibilidade de procurar os ultimos bares aberto, a quase embriaguez.

Agora ou no inverno?

eu conheco voce, que nao me conhece. que nao me acredita…

Nem todos percebem as mudancas das estacoes ou reconhecem a primavera.

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